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Guia para pacientes

Sobre a Catarata

Entenda o que é a catarata, como ela é diagnosticada, as opções de tratamento e o que esperar antes, durante e após a cirurgia.

Conteúdo elaborado pelo Dr. Alexandre Martini. Não substitui consulta médica.

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Capítulos deste guia

01O que é a catarataDefinição, causas e quem tem maior risco. 02Sintomas e impacto no dia a diaComo a visão muda com a progressão e quando buscar avaliação. 03Como é o diagnósticoExames, biometria e indicação cirúrgica. 04A cirurgia de catarataFacoemulsificação — passo a passo. 05Tipos de lentes intraocularesComo escolher a lente ideal para o seu caso. 06Pós-operatórioCuidados, restrições e recuperação. 07Mitos e verdadesAs dúvidas mais comuns respondidas.
Capítulo 01

O que é a catarata

A catarata é a opacificação do cristalino, a lente natural do olho responsável por focar as imagens na retina. Quando o cristalino perde sua transparência, a luz não passa mais com clareza e a visão se torna gradualmente turva, embaçada, com alteração das cores e piora em situação de pouca luminosidade.

É uma condição progressiva e muito comum: a maioria das pessoas acima de 65 anos tem algum grau de catarata, e em algum momento essa opacidade vai começar a afetar a visão. A boa notícia é que ela tem tratamento cirúrgico eficaz, seguro e bem estabelecido.

Na grande maioria dos casos, a causa é simplesmente o envelhecimento natural do cristalino. Outros fatores que podem antecipar ou agravar: exposição intensa ao sol, diabetes mellitus, uso prolongado de corticosteroides e traumas oculares.

Importante

A catarata não é uma "película que cresce por cima do olho". É uma alteração dentro da própria lente natural — por isso não adianta colírios ou óculos para reverter. O único tratamento definitivo é a cirurgia.

Capítulo 02

Sintomas e impacto no dia a dia

A catarata evolui lentamente. No início, a perda de qualidade visual pode ser discreta. Com o tempo, os sintomas se tornam mais evidentes e passam a interferir nas atividades cotidianas.

Os sinais mais comuns: visão embaçada que não melhora com óculos novos; ofuscamento; halos ao redor das luzes; cores mais apagadas ou amareladas; piora da visão noturna; e necessidade de trocar a graduação com frequência.

Quando buscar avaliação?

Se você percebe embaçamento visual que não melhora com a troca de óculos, dificuldade com luz forte ou piora progressiva da visão — especialmente após os 50 anos — procure um oftalmologista.

Capítulo 03

Como é o diagnóstico

O diagnóstico da catarata é feito pelo oftalmologista durante a consulta, com exame de lâmpada de fenda. Quando há indicação cirúrgica, são realizados exames complementares — em especial a biometria ocular, que mede com precisão as dimensões do olho e permite calcular o poder óptico ideal da lente intraocular.

A indicação cirúrgica depende do impacto na qualidade de vida do paciente — não existe uma regra única. O momento ideal para operar é discutido individualmente em consulta.

Capítulo 04

A cirurgia de catarata

A técnica padrão é a facoemulsificação: sonda ultrassônica introduzida por incisão mínima (menor que 3 mm) que fragmenta e aspira o cristalino opaco. Em seguida, a lente intraocular dobrada é inserida e se desdobra no lugar correto.

Regime ambulatorial, anestesia local (colírio), duração média de 15 a 20 minutos. Sem pontos — a incisão é autosselante. O paciente retorna para casa no mesmo dia.

1Preparo e anestesiaColírio anestésico e dilatador. Paciente acordado e confortável, sem sentir dor.
2MicroincisãoIncisão menor que 3 mm na córnea. Por ela passarão todos os instrumentos e a nova lente.
3FacoemulsificaçãoSonda ultrassônica fragmenta e aspira o cristalino opaco. Cápsula posterior preservada.
4Implante da lente intraocularLIO dobrada é inserida e se desdobra no saco capsular. Sem pontos.
5Alta e retornoPaciente vai para casa com protetor ocular. Retorno no dia seguinte. Visão melhora nas primeiras horas.
Capítulo 05

Tipos de lentes intraoculares

A escolha da lente intraocular (LIO) é feita em conjunto com o médico, considerando o estilo de vida e as características de cada olho. Existem lentes que proporcionam maior ou menor liberdade dos óculos — é possível ficar praticamente livre deles.

A escolha é individualizada e varia com as necessidades de cada paciente. A indicação ideal depende das suas necessidades e das medidas do seu olho — avaliada em consulta.

Capítulo 06

Pós-operatório e recuperação

A maioria dos pacientes já percebe melhora significativa nas primeiras 24 a 48 horas. Os cuidados incluem: colírios nos horários corretos, protetor ocular ao dormir, evitar esfregar os olhos e comparecer a todos os retornos.

Ler, assistir TV e usar celular podem ser retomados no dia seguinte. Dirigir e exercício físico dependem de liberação médica — geralmente entre 1 e 4 semanas.

Sinal de alerta

Dor intensa, visão muito embaçada ou vermelhidão excessiva após a cirurgia — entre em contato com o consultório imediatamente.

Capítulo 07

Mitos e verdades

Mito: Catarata só acontece em pessoas muito idosas.

Verdade: Embora mais comum após os 60 anos, a catarata pode surgir mais cedo. Alguns fatores de risco: diabetes, exposição solar intensa, uso crônico de corticoides ou traumas oculares.

Mito: Preciso esperar a catarata "amadurecer" para operar.

Verdade: Esse conceito é antigo. Com a facoemulsificação moderna, é possível operar em estágios mais iniciais, dependendo do impacto na qualidade de vida do paciente.

Mito: A catarata pode voltar depois de operada.

Verdade: A catarata em si não volta. O que pode ocorrer é a "catarata secundária" (opacificação da cápsula), tratada com laser rapidamente — popularmente conhecida como "limpeza da lente".

Mito: A cirurgia de catarata é perigosa e demorada.

Verdade: É uma das cirurgias mais seguras da medicina. Dura 15 a 20 minutos, regime ambulatorial, anestesia local. Taxa de complicações graves inferior a 1%.

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